sábado, 24 de dezembro de 2011

Sobre o Natal

Nosso coração sussurra presentes de Natal, sussurra um em especial, um que não tem tamanho. É imaterial, pintado com todas as cores, é aquele o qual nos esquecemos de esperar, nos esquecemos de que existe já que permanece calado nas profundezas dos nossos sonhos... Nos esquecemos também de dar. Ele é simples (como as coisas mais significativas da vida) e mesmo assim nos rendemos a comodidade de chantagear os que amamos com os ditos 'sacrifícios' do bolso. A julgá-los e a nos julgar.
Nós lembramos de nossas mágoas, das pessoas que por opção estão ausentes, daquelas que fecharam seus olhos, seu mundo e nos deixaram delas apenas um rancor, um julgamento infantil e egoísta por não aceitar que é saudade. É porque guardamos tão bem embrulhado o perdão, enterrado quem sabe, desde crianças embaixo da árvore.
Se eu abro os sentidos do coração, com atenção, sem pressa, com o carinho de que somos todos feitos, eu passo a entender o que cada pessoa da minha vida precisa de mim, precisa pra reanimar, não pra compensar a mágoa das vezes que a esqueci das milhares formas, eu sei que nada apaga as faltas; mas pra ela sentir as coisas puras de mim, o melhor de que a nossa relação, seja qual for, é construída.
Eu quero merecer a mim mesma.
O Natal tem tanto por detrás das tantas mensagem como esta, tem tanto por detrás das reflexões tradicionais, das próprias tradições. Ele concebe. Ele nos concebe de novo e da forma que for a cada um e cada um confirma a seu modo e para si mesmo que existe um espírito, um sopro que nos empurra pra um ano em que não vamos lembrar das conclusões e dos efeitos de hoje, mas que esses, mesmo sem nos dar conta vão ficar como perfume em nossa alma, exalando devagar, a cada dia especial do ano...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O que querem...?

De onde brota o peso, a lama acizentada tão cativante, tão viciante? É certo que não brota.
Em nada se parece com meu querer os desejos! Basta Freud ter dito, é lei. Mesmo eu, mulher, mesmo ele homem em admitir tal impotencia, impotencia que as filhas do mundo estariam a sentir continuamente. Nem mágico! São coisas que caem e se caem são do céu, se é essa a impressão das palavras que também impotentes nunca darão conta dos reais sentimentos, sentidos, pensamentos feitos de recordações das imagens, dos sons, do tato, dos gostos e dos cheiros (nem eles todos juntos darão conta, nem presente, passado ou futuro porque o tempo é uma coisa só, apenas alternada entre escuro e claro. Assim digo e assim é, porque pensar diferente é provocante e existe graças as afirmações)! Do amalgamento de todas as coisas do mundo que é mundo porque é em nós e de nós!
Mas brota e expande. É necessário que eu exteriorize, é terror que sai, anda, voa e deve explodir nalgum canto ou meio pra sumir no inconsiente de quem lê e absorve pra exprimir sem saber como e o quê.
E nem é só a mulher que carrega tantos ''tantos'' permanentes. Senão que o homem seria um ser de todo o vazio do universo capaz de criar e interpretar somente coisas visíveis, palpáveis e inteligíveis.
Então porque cada uma de nós será o ser que sente (sem saber) que é a ausência dele ao invés de um ser especial? Somos a ausencia de todo o vazio do mundo?
Que completará uma mulher a outra? Chegarão até a conclusão de que são a mesma, um tanto mais ou um tanto menos explorada uma por si que a outra, aquela que menos, mas que um dia talvez bem depois da vida (ou antes ainda) há de chegar a mesma exata conclusão sentida ou tirada.
Já o homem que nos mostra que não interpreta o sumo do que colocamos há de mostrar algo abaixo ou admiravelmente além. Há de mostrar e surpreender com a flor, o espinho ou o ridículo. Há de mostrar, há de deixar no ar, no incompreendido desejo (não do querer!) da força segura , já que a pergunta foi o que quererm, não o que desejam (já respondido e mesmo assim mal ou não interpretado) as mulheres...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Nesses meus olhos teus


Lembro o teu sorriso preso do lado de dentro da vergonha... Da barreira dos teus olhos grossos ele não é digno de passar. E só alcança a estes pela ponte involuntária de um pulsar alerta.
Ah o tamanho do teu coração... Deve ser, também o meu, feito dessa vontade de explodir, insaciável por toda a vida vivida. Extremo, intenso.
Penso em acordar uma manhã em tua memória. Uma manhã quente de primavera, florida... Daquelas que leva até a cama o perfume do campo num convite à despertar.
Devo te convencer numa expressão dessa minha face tua a preparar pro almoço, com teu carinho solto, porções fartas do nosso melhor passado...
Minto o que sinto quanto tento te contar, sufoca em tua fraqueza minha chance outra vez... Ressuscita em canções fortes. Suponho grave tua voz em canto, mas é no peito que engasga minha coragem de ouvir.
Por entre livros, poemas, retratos e pratos teus, eu construo o meu ateliê. Fundamental é toda a bagunça para pintar uma ilusão. É doce sonhar acordada...  Pra tamanha ternura, talvez, não exista outra forma de sobreviver.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Safira

Eu desejo com força enorme (porém insuficiente pra me elevar ao absoluto da mágica) um enorme casarão...
Me sabe o abismo do inconsciente e todo o seu acervo de canções e cenários, e mais: Assombrado de tudo quanto provou os sentidos!
Um enorme, gigantesco casarão! Por onde possam vagar as idéias todas (infinitas) do dia. Que um único dia traz consigo a imensidão... Toda a conclusão da vida, incluindo a futura, anda atada à corda desse tempo.
De madeira forte e velha, se resistir às recordações pesadas tal espécie... Se não resistir que quebrem-na qual quebrariam ondas cegas de paixão e de oceano.
De espaço pra comportar eco de suspiros, de azul profundo representando a lua. Na cor do clima gelando por aceito, o contente acolher do frio... O vazio da mobilha. Tem de haver tecidos claros e leves pra tingir a noite ao dançar do vento, quero ver na melodia meus olhos e seu tamanho real, crescente.
Eu quero altura.
Quero ar.
Desejo uma casa que eu não possua numa ilha deserta do pacífico, durante três dias sem noite. Desejo a minha companhia e toda a reconstrução da vida perdida de si. Desconstrução... Barco sem fundo na volta.
Pra sempre vou refletir os dourados da tarde, seja na chuva morna das águas do mar ou não. Seja no tom mais inspirador da noite, safira.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Presos à terra

A maior verdade continua sendo a maior verdade quando se está triste. Ela fala mais baixo, porém.
Num largo tumulto, quem sabe uma tempestade, é sequestrada a razão dos melhores poetas. Conflitos da chuva!  Sim, se houver melhores poetas...
Pára o mundo próximo aos olhos. Os olhos do coração, da alma, dessas coisas que as palavras inventam, dessas palavras que não dão conta da existência humana. E perto desses olhos abre-se novamente um cativeiro, minado de certa saudade, onde estão plantados sonhos, presos a terra, se desenvolvendo... Presos a terra! Lá onde existe inquebrantável força, a força do vento gelado, as estacas fascinantes de cristal e seu ainda mais fascinante acalanto. Paremos. Entre o sono e o descanso. Entre o brilho, a lua e o sol. A necessidade e a palidez do desânimo.
São poetas dramáticos, são vidas que não bastam sequer em sua imensidão. Paremos de girar, de viver em nosso cotidiano, em nossos planos e em nossas aspirações. Paremos de sentir frio ou calor, de buscar e desviar. De buscar ou desviar. Vazio de sentido todo o mundo, paremos um minuto e pensemos conscientes. Condizentes com a essência no instante do parto.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Flor do mar

Colho a lembrança como a menina colhe as poucas frutas frescas do inverno... Ouço o som delicioso das primeiras mordidas nos meus versos verdes...
Por hora eu me repito. E desde então... Desde aquela leitura que se confunde comigo e me confunde com ela. Puramente infectada de uma magia enigmática. Ela na boca, a sede crescente.
Com toda a sua inegável influência eu reviro as mesmas frases e as mesmas vozes escritas me chamam para dentro do cenário imaginativo: o mais bonito! Nunca nada fora melhor que um sonho em minha vida real. Nem a praia, sendo que na lembrança o desejo implacável de retornar é mais saboroso que a imensidão da areia sob os pés.
Há de ser mais dourado aquele sol... Mas admito, foi incrível, só em menor proporção que a lembrança, um (somado) dia de conversa silenciosa trocada em sentidos e vibrações extraordinárias com a vida. Também não o posso afirmar mais ou menos intenso. Me confunde e discute qual fantasmas transparentes dentro de mim o impasse. Doce bailar!
Como a menina exala em flor perfumada e perigosa uma recém-nascida mulher  eu respondo as confusões com esperança em imagens maravilhosas, brisas revigorantes, vendaval antes da chuva. Toda a natureza há de ser, mesclada a construções ou não, uma imaginação viva de um ser a nos transportar e completar num instante. Toda construção artística há de ser também, e por que não, todos os pensamentos da mesma correnteza?
O mar é salgado demais pra saciedade e por si só não basta. Nem a praia sem vegetação...
Faz morada em meus segredos, além do horizonte vermelho de sol, uma flor. Temo que esse Sol um dia aprenda a olhar além do mero reflexo e a encontre ao fundo, e a encontre. Sequer o espetáculo do eclipse ainda a fez emergir, nem o desenho subliminar das nuvens ou o véu de uma dança ilusória. Se ele esquece o fio espelhado de nada valerão seus espinhos, então úmidos de amor, de amor.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Do desejo desesperado dos últimos dias

Tem frases escondidas dentro dos meus delírios. Tem uma quinta fase na lua que eu não posso ver. Momento de cansaço, falta de espaço, grandeza demais para os meus olhos... Inveja dela que enxerga todo o mar, inveja da inveja que ela sente ao me ver ora na brisa, ora na umidade e na mudança de cor. Horas tão raras. Meus pobres olhos são condenados à paisagem de alcance.
Me quero tão só.
Tenho cá uma caixa de músicas sem utilidade, já que eu guardo uns rancores e que; semelhante a cofres de louça sob formas rudes de porco se quebra com ansiedade; hora ou outra ela também há de se quebrar.
Muitos lagos transbordam assim, de superficiais que são. De belos à noite no bosque, falsos sob a luz do Sol.
Me quero só, lá pra onde música nenhuma ainda me pôde transportar.
Onde ninguém vai discursar, palavra em demasia é falta de consideração.
Me tenho em prova iminente.
Passei por todas as coisas que já passei. Do relógio ao vapor que se repete fosco e angustiante. Do sonífero doce (desnecessário) ao pó das folhas cheias de tinta desbotada.
Desabotoada pela memória a rosa do poema, vaga... Num caderno que partiu.
Dos rancores e do rio não há nada que concluir. Falam eles pelas próprias frases já exaustas.
Irão dormir...
Sigo acordada no grito de que me quero só! Para além da cama à hora do ocidente dormir, para além da escada onde se acendem as luzes que vão de novo me condenar, além do encontro e da busca, da saudade e da meditação.
Na vontade que me transporta e na paixão doentia por esses olhos infinitamente vaidosos que admirados de si não bastam.
Fome da vida das personagens vivas no estrago permanente da minha. Só o concreto não é utópico. Triste realidade óbvia entre as páginas clichês dessa história!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Numa dessas viagens de volta

Ah! Se a minha saudade não fosse do tamanho da distância entre a janela e o infinito. Se a janela fosse de ninguém e o infinito meu.
Um bocado menor (a distância), e eu andaria descalço, afobada e cega até o alcançar.
A grama, a terra e a colcha de retalhos no percurso que os pés testemunham, e só.
Um salto, ás vezes, no espaço eterno. Aquele encorajado pelo pulso mais forte do coração... Ligeiras voltas em vestido rosado . Vagaroso, dançante... A ponta dos mesmos pés, que mais nunca terão de se equilibrar sobre as mesmas cordas.
Faltava-me, à época, asas por onde alçar vôo em fuga, de encontro ao leste.
Ah! Se minha saudade ardesse menos no peito que algo tão semelhante a raiva. Se essa primeira me oferecesse  uma fatia de paciência, eu me levantaria da bagunça que não oferta o nada pra eu me esvaziar.
Explica, encontro! Ou desenha o que meu ânimo impede de explicar a alguém...
Me leia, decifre. Sinta e me beije trajado de mar.
Brinque... Faça que me larga inteira numa caravela e volte! Volte ligeiro, como brisa leve dançando no rosto. Acenda o sol nos cabelos da tarde enamorados dos meus, feitos em cama ao calor de inverno.
Me leve pra longe, pra mais longe que o sempre! Me encha os olhos do horizonte mesclado em todos os tons quentes do céu e me embale enquanto canta a tua canção gota a gota. Deixe-me respirar o ar que te sente vivo. Faça dia e noite avançarem lentos, como parados um, no instante anterior do outro. Permita o tempo incendiar, no fascínio das chamas em que o amor há de erguer. Regue-me em chuva de carinhos lentos qual solidão. Atenciosa feito a lua me guardando em uma de suas fases cheias...
Sobre o céu, não sei o que é mar. Se vôo ou flutuo.
Dissolva, saudade líquida, a palavra-desgaste, o sono assassinado, a falta de espaço, a mentira incrustada no coração.
Que a onda, antes de quebrar, engula a vida anterior ao barco a vela e seus versos brancos.
O mar não crê. Dos caminhos do rio, chega viva a transparência.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Não sei fazer um poema

Do quarto me joguei pra cidade. E não foi sonho! Tonta, eu ia seguindo a alegria que não se toca. Soluços do peito...
E ele à frente, disparado a rodear a calçada... Teimoso e ligeiro misturado ao povo que corre levando o futuro nas mãos... 
O que era a rua? Essa que em tapetes sacudia buzinas agressivas, mentirosas... Repetitivas. E o que era aquele cálculo debruçado na metade de um banco azul?
Lento, me soprava os olhos qual ventinho sopra as folhas secas do chão... E os olhos iam ficando claros conforme expulsavam as mágoas a que essa mesma remetia.
Ele lá, perdido em novos soluços e a cabeça estragando os ponteiros, contando quatro prisioneiros num contorno arrogante. A cor das vidraças se espalhava quebrada no asfalto e meus braços escalavam as sete preces até atingir a surdez escondida no interior dos sinos. Quantos são os segredos de um lugar que temo querer apenas levar pedaços? Que medo transporta um som antigo importante a outro um tanto mais? Distraída eu pareço a fada sonolenta...
Mas a magia conta o que se esconde na ponta do nariz.
Meu mundo pára quando disfarço que ele não gira dentro das tuas canções. E dança a tua voz no peito mesmo se finjo que rio dos homens atarefados. Guardo tua palavra doce pra hora de dormir...
Na calçada eu posso esperar o aviso das seis, desejar tomar o café mais saboroso e pousar no teu rosto um descanso, esquecer nos teus lábios minha força e voltar com as mãos aquecidas entendendo que o coração contigo parece injusto, se faz bobo de atrapalhado e medroso mas que ainda um tanto imprudente e descontrolado volta como a quem falta toda a vergonha. Ansioso, remenda as faltas e se esquece de tornar ao lugar.

sábado, 28 de maio de 2011

Um mundo

Quando o verão chegar todos os pretextos vão junto com o ar gelado... E se eu disser que sempre terei a razão, que ela engole minhas pragas da boca e do pensamento?
E que mistérios são esses pelos sonhos a dentro, pelos ouvidos afora? O que já é tão diferente de mim que se confunde em milhares de projeções conflituosas na mente, nos braços, nos olhos vermelhos, vivos, transparentes, enganosos, irremediavelmente falsos!? Nada do que penso se perde e tão pouco o que minto no meio de alguma dessas frases que me revelam ou não os pedaços... Elas me contam uma só verdade: sou todo o mundo! Por entre todos os sentimentos eu me misturo e esqueço de regressar, viajo ao longe e grito para que embarquem, me vejam ou ignorem afogada na beira da praia, ilhada, desesperada ou calma, assim, como uma brisa imita o rosto bonito... Mas que alguém sinta o que não cabe em um só peito, antes que eu procure e me engane, que eu esqueça todo o jardim contemplando o beija-flor, voando com ele...
Não sou eu por vezes... Se não sou eu que sou? Se sou tudo é que muito é guardado. Sussurros da alma, justificativas ao inconsciente. Engano, pretexto de culpa... Que o mundo me agrada em partes, que as partes más são bem intencionadas ou fugas do nosso eu comandante quando manifestadas. À mim importa, em mim dança ou afunda, a dança habita o meio dos tempos, singular. Deveras único e o mesmo.
Quando o verão chegar eu vou lembrar de todos os verões e de todas as saudades, vou brincar na água fresca, encontrar mais rostos e tomar sucos artificiais. Num dos hojes reside o inverno e seu calor, a cidade, a água fresca e os lençóis...

sábado, 7 de maio de 2011

Fandango

Todas aquelas flores de mentira traziam algum sorriso, dores, as confissões forçadas... Todas as flores de mentira eu inventava, eu doava e depois cobrava.
Eu inventei a paciência.
Porque certas palavras aparecem inesperadamente quando preciso. Por precisar, sempre volto a imaginar que não virão.
Eu não abri minha alma mesmo para mim. Hoje ela me disse alguma coisa boa depois das angústias rotineiras. Mensais. Tem dias que os sentimentos se multiplicam cem vezes. Eu exagero e enceno um drama nos labirintos de uma confusão interna.
O sentido de tudo é maximizado. Tão mais que as possibilidades da interpretação de qualquer leitor, exceto eu, à qualquer texto meu.
O relógio parado. A frase é solta como eu a quis em mais um poema que encerrei sem fim, por medo. Ela caberia em qualquer lugar, não cabe aqui e aqui está.
É do coração que brotam as coisas boas?
De uma terra boa floresceu um pé de feijão gigante, me levou a um mundo bonito como o infinito e apresentou à uma nuvem que cantava desafinada: ''Sonhe os sonhos teus, todos sonhos teus...''
Eu deveria deixar todas as canções de lado e buscar um lado rosado de céu dentro dos meu próprios atalhos, então eu viveria mergulhada neles porque nada de racional me importaria.
Por hoje, eu prefiro esquecer a ordem dos sentidos, eu apenas sinto e exponho de forma confusa o claro.
Eu tenho construído uma casa dentro de uma luz bonita. Não pode faltar cor nem canções. Flores são bonitas, também não abro mão dos perfumes e do calor das lareiras. Me falta o telhado, esse deve ser bem seguro, mas eu confesso que dependo de asas firmes e mãos prestativas pra começa-lo.
Eu não inventei a paciência.
Conheci palavras que bordavam as cortinas desse mesmo lar. Olhos que estudavam o matiz da mesma estrela, línguas que dançavam medrosas num rítimo alternado, dentro de um sonho perdido num canto, apenas.

sábado, 30 de abril de 2011

A vida é do tamanho do mundo

A verdade deve ser que eu sou ainda muito arrogante. Ou irremediavelmente arrogante.
Não consigo achar sentido nas respostas das pessoas às minhas perguntas que saem do rotineiro. Eu encontro-as quando olho pro mar, um mar de respostas... Bem no fundo (do mar) deve haver uma sereia (mergulhada no entendimento de todas as coisas) que não quer fingir que precisa ouvir aos mortais, por ser sereia ela não deve ser considerada arrogante, apenas sincera , com a idéia fixa de que todas as pessoas, ao refletirem sobre tudo quanto lhes é proposto, chegarão hora ou outra à uma mesma conclusão lógica.
Os sentimentos? Estes não dependem de razão, fazê-los crescer ou durar depende.
Mudando de idéia, sereias são seres encantados. Apenas bonitas, apenas muito bonitas e intocáveis. Uma cigana ou uma bailarina podem ser tocadas (se cativadas), e podem ser encantadoras tanto quanto podem refletir e dar desculpas tolas à tristeza, disfarce à ausência dos sentidos, alimento aos enigmas e magia aos olhos vaidosos do espelho. Uma cigana nasce dançando, uma bailarina escolhe dançar. Ambas podem sonhar ser sereias e achar no coração do espelho o brilho que quem sonha conhece.
Eu não preciso de um bom sono nem de atos falhos pra explorar pedaços do inconsciente se eu trabalhar em revelá-lo (da forma que for). Esse pensamento, agora, confirma minha arrogância?
Parece bem com um sonho (daqueles do sono) adiantado de quem é impaciente. E me parece adiantado pensar agora. Bem como é arrogante prever qualquer coisa no mundo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pequenos fragmentos...

Não, eu não esperava você, felicidade! Eu não esperava cantar tanto e sorrir dessa forma porque não vejo motivos claros, e dos motivos que imaginava serem responsáveis pela minha alegria, ah! Não eram responsáveis e ainda fariam o contrario! Assim que eles se desfizeram e toda uma esperança muda de cor, plano, planeta, eu continuo tanto ou mais alegre! Espuleta, saltitante, cantante! E todo esse mundo parece tão vivo! Será o sol do outono? Ele já foi feio, então não vejo motivos! Eu sinto alegria e só! 
E quanto mais eu sinto e percebo essa alegria incondicional, mais ela cresce! Aí sim, com motivos visíveis e concretos. Com motivos: eu não preciso de motivos pra estar bem! Eu estou bem comigo eu acho, tão bem e com tantas lembranças boas na memória, com pulos e céus, estrelas e os mesmos vagalumes, ainda que aparentemente rotineiros esses elementos e sentidos haviam se perdido no tempo enquanto os buscava, como que fossem amostras de uma vida (inteira/futura) muito além do comum existir, ah! Já posso receber (porque julgo que não posso)!
E, numa certeza de que não posso ter controle sobre como o fazer, por alguém que contou que o que nos foge é o que tenta ser alcançado. Nunca me pareceu tão óbvio! Saint Exupéry me faz lembrar de quando em quando que 'o essencial é invisível aos olhos', dai-me vinte, só vinte interpretações e direi que não preciso de nenhuma! A minha me serve e me basta. Me abre um sorriso bonito!!!!
Eu não passo impressões, eu sou. Contudo, você me olha, não que se permita me ver. E não me importa quem é você! Você fui tanto eu, por vezes também leitores, músicos, Machado's de Assis, Otelos.
Não que eu seja reflexo, e não que não o seja. Não que eu me limite a essas coisas, não que não tivessem peso sobre minha memória, ações...É que mais que eu as seja, prefiro entender que elas me são, e me são apenas pedaços, pequenos fragmentos...

 

quinta-feira, 31 de março de 2011

Quem define

É bem minha defesa e organização...Uma esmeralda no universo! Alguém acharia mesmo que...Importa o que pouquíssimas pessoas acham!
A erva que vai curar... Na receita de tudo o que me tece estão combinações diretas e bem coloridas de coração e ação, sentimento e ação, vontade e ação favoráveis sempre à primeira.
Ah! Vocês acharam mesmo que eu premeditava cada palavra, gesto, sorriso. Cada passeio e cada lugar pra atrair ou expulsar. Mesmo pra pensar, e ainda mesmo pra analisar, medir, ordenar entre favorável, desfavorável, útil, inútil. É que será sempre prazeroso um número ou um alimento a mais ao ego! Testando encantos...
Talvez, ainda, tenha entendido como uma enorme insegurança, fragilidade, ingenuidade puras o bastante pra decifrar planos miraculosos!
Também, quem sabe, posso ter me vestido de grande mulher convicta, visivelmente determinada, calculista e seletiva que se deixava desmascarar por vezes descontrolada, absurda, indiferente ou exageradamente atenciosa. Preguiçosa, calada, extravagante e melosa.
Sim! Pode ser que tenha organizado a alma numa exposição de numerosas personagens fabulosas que conflitaram entre si numa rebelião boca a fora, braços, pernas, sorrisos...
E se eu realmente não me importo em parecer perfeita? E se eu tenho a fórmula e a jogo ao mar? É que eu talvez prefira usar elementos do coração pra me construir e aprimorar em cima de minha verdade.
Tudo? Nenhum dos mil?
Tem princesa aí a fora adormecida esperando por teus beijos, te olhando, te chamando, esnobando, enfeitiçando, pedindo e dando sopa.
Bem longe, escondida entre duas almas, uma cigana relendo a sorte sem tua mão. Sem conseguir sair do lugar, numa aposta incerta ainda, ela roga aos quatro ventos que teu cavalheirismo faça o oposto.

domingo, 27 de março de 2011

Algo a menos

É tão mesquinho pensar assim. Pensar é mesquinho?
Agir é mesquinho, segurar é mesquinho.
Aquele show me chamava e eu corria pras colinas brincar com os sonhos dele. Só enxergaram o óbvio e o semelhante ao óbvio.
É mais fácil dizer que existe burrice, falta de vontade e algo a menos. Que existe o feio e o inadequado. Que você adivinha a fase pela qual estou passando e me mata de vergonha dentro da tua razão.
Eu passo de arrogante a complexada. Eu ligo?
Não sou diferente dos bilhões de egoístas.
E de que serve a exatidão?
Foi bom caminhar na chuva sem rumo nenhum, pessoa alguma, diga que é impossível e eu afirmo que é alma e que há o que a lave e inunde.
Não existe desordem. Olha, eu posso dizer o que eu quiser, conversar com a rã que eu não salvei e pouco faz diferença se você sabe que eu a matei tentando salvar. De minha intenção não é pago o mal feito.
Quando vocês surpreendem é como que eu vivesse só então.
É que ouvimos as exatas mesmas coisas, boas, ruins, exatamente as mesmas. É que vocês ouvem as mesmas, respiram sem notar.
Quando vocês não entendem de novo e eu não tenho paciência eu os afasto porque ainda é igual dormir e melhor escrever.
Melhor dormir muitas vezes.
No verão é fácil organizar as palavras. Hoje são poucas, mas tão confusas!
Mesmo assim, essa liberdade me conforta. E me conforta quando vocês dizem pra eu não acreditar no amor. O amargo é todo de vocês.
Nem só o que a gente sente é o que existe.

sábado, 12 de março de 2011

''Vê se não vai demorar...''

Vem ao meu encontro milhares de coincidências e mensagens incríveis como incrivelmente mudas. Assim que eu largar o entusiasmo pelas ruas da insônia e entender que o melhor é levar a cabeça ao chão ou pendurá-la numa alegria moderna inventada, de uma vez, a frase da música vai gritar aos meus olhos uma mensagem familiar ao mesmo tempo em que ela a canta. Eu vou tomar um ânimo oposto ao de ontem, equilibrar as idéias pelas oscilações revividas dezenas de vezes, não por conta disso, e rever o conceito de felicidade passada.Não entendo, sei que estive alegre ao ponto de o ter certeza.
Já mencionei o mar e parte do significado e influência que ele tem sobre mim, e sozinha, agora, eu relembro o avesso completo da solidão. É na praia enorme de um mar aberto em ressaca, na amplitude da areia incrivelmente macia, no tamanho misterioso do céu alternando entre cinza, azul, vermelho, preto e marrom. É ante o infinito e suas vibrações maravilhosas que se encontra um amor o qual não se explica nem se entende, ele invade o espaço fluindo de mim e retornando a mim em dimensões incontáveis vezes maior.
De forma insuficiente, infiel e resumida, eu digo que ele me basta. Ele e tudo o que o cerca. Me basta enquanto me tem e hipnotiza. Não me contento em nenhum outro cenário, não foi o encontro suficiente à minha necessidade de segurança e suprimento da principal carência. Não se estende, nem a lembrança me conforta.
Nas coincidências, nas mensagens, uma certeza das mais esclarecedoras e esperadas.
O que me basta vem caminhando devagar, conforme nos construímos separadamente. Conforme diminui nossa pressa e nossa dependência. Necessários são os sonhos, que são engraçados e tão pequenos ante a realidade ainda desconhecida. Suponho que não o conheça, as evidencias apontam. Virá no resultado, resumidamente, de uma soma de qualidades, defeitos certos ou necessários, suposições, necessidades, reciprocidade, vontade absoluta, descontrole, equilíbrio e magia. Num encontro absoluto, imperfeito e decisivo.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Azul + vermelho

Cante assim, como a chuva canta pra eu dormir.
Conte em meus ouvidos uma nova história durante todas as noites e dias adoravelmente granulados de uma luz azul ou dourada.
A dessa noite parece quente e macia.
Cada toque pesado dessa lágrima alegre nos braços da grama é uma confissão absoluta e acolhedora.  Uma saudade pra cada milímetro verde. Para os projetores do reflexo arroxeado um extraordinário reencontro... A nuvem as chama de volta, as gotas, que vem convertidas em suspiros pálidos que o dever da gratidão provoca. Viajam nas escadas do vento amigo, repousam, renascem, em queda livre algumas se perdem na sede dos vivos, outras escorrem na pele despertado sentidos alheios, ainda que cheguem a seus amores chegarão desfalcadas de um romantismo que ficou molhado na fome dos lábios, na adrenalina dos pássaros viajantes, nos raios dourados de sol. Muitas chegam, poucas chegam inteiras na espera aflita da grama... Mas é noite e eu devo continuar...
Então, vente assim, trazendo a neblina que pinta o sorriso do meu sono...
Raras são as coisas substituíveis. Boas ou más. Inexistentes as pessoas como enumeráveis os sentidos de cada momento. 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um desmaio, talvez

Eu falo sempre as mesmas coisas, eu prendo muito em mim. Quero banir a palavra de sempre. Traduzir 'decepção'. Parar de falar da chuva, parar de ouvir música, parar de falar e de escrever. Dormir e não olhar no espelho, dormir sem ouvir minha voz, dormir sem vento, sem calor, sem frio, sem boa noite. Não sonhar, nem pensar e imaginar. Não lembrar do que esqueci. Não ter água nos olhos, sentimento no peito.
Ter força pra deixar a Bahia onde está, a ilha no mar, as ciganas migrando. A porta fechada, eu nem penso na porta! Eu pensava uma vez nas viagens de Natal, aquelas que faz o bom velhinho. Eu nem pensava nos duendes. No chaminé raramente, eu pensava em como é bonito o céu e as construções lá de cima. O céu sempre estrelado, o ventinho leve do verão.
Os vaga-lumes nunca mais apareceram, eles sumiram mesmo sem erguerem casa aqui ao lado. Eles se foram com a garoinha que mandava eu entrar na cozinha, com o jantar saboroso e raro do pai carinhosamente preocupado. Se foram as crianças que moravam depois do muro, foram e minha infância ficou um tanto sozinha, com toda a saudade de deitar na grama quando anoitecia, com vontade de pular o muro e ser índio, ser herói, ser atleta e professora. Se foram as conversas, o estudo, as risadas descontroladas, as divergências e as discussões. Ficou um amor muito grande, maior que a saudade. Ficaram milhares de lembranças, encantadoras lembranças de tudo.
Que eu também lembre com carinho das pessoas de hoje, se o destino nos separar. Que eu goste de lembrar das brigas, dos nossos planos, do nosso dia-a-dia.
Devo esquecer.
Tenho tentado buscar o silêncio. Desintoxicar. Exercitar a paciência, mergulhar fundo na calma. Não consegui mais que tentar. A partir de já vou levar a sério, superar. Amanhã vou dizer que tentei de verdade e vou partir enfim vazia do mal. Em paz. 

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

18

O quarto sabe, ouviu muitos dos sonhos, das músicas também. Eu revivo agora, pouco mudou em mim, mas foi imensamente significativo. Já relembrei em outros textos... Não vale repetir.
Ainda imagino a mágica que não posso tocar. Ainda não consigo ver como imaturidade. Espero sempre gostar de sonhar. Não me diga que é bobo, não me diga que é comum, não diga que é patético. Evite gastar tempo e se aborrecer. Eu não vou acreditar.
Se fui ingênua é que ainda sou, pois não vejo mudança relevante nesse aspecto... Vejo coisas bem pesadas, sei de boa parte da maldade que se esconde atrás dos vidros que minha mãe jurava serem inquebráveis. Passei por medos, vergonhas, senti raiva, ambição. Deixei de perdoar, magoei, deixei o orgulho ferir tudo à volta. Omiti. Mas nada, nada ainda me fez querer deixar de acreditar em mim e nos outros. Senti tantas coisas boas tocando o meu coração, enxerguei alegria nos olhos de quem nasceu há dois anos, e, quando seus olhos brilham com as coisas mais simples aos otros, quando ele vem com tanta verdade, impulsivamente, me abraçar forte! Quando ele fica tão feliz do meu lado, ah! Eu vejo o quanto a vida vale a pena!
Eu sei que ainda vão gritar, sei que vão rir e me expulsar, mas não importa isso enquanto eu tiver pessoas de verdade do meu lado! Persistindo na simplicidade, no caráter, na dignidade. Não vale o desgaste querer que outros entendam, nem que acreditem.
Eu ainda choro se olhar muito os meus olhos no espelho, e eu ainda sorrio. Eu já não grito contra a forma como Deus me fez. Eu já não me desespero, mas ainda deito olhando pro piso e enrolando o cabelo, ainda paro pra contemplar o céu, os morros que tem aqui perto. Eu deixo o canto dos pássaros e a grama às vezes pra vir aqui escrever e saber o que fazem as pessoas também na rede. Deve ser um pouco de solidão...
O quarto não é mais igual, nem as roupas que eu gosto de provar mas eu ainda me arrumo sem precisar sair, eu apenas gosto e gosto de dançar quando ninguém vê.
Eu ainda busco o colo de mãe, não pra desabafar mas por ser o melhor do mundo, por saber que ela está aqui e que não existem palavras mais confortantes que essa nossa ligação.
Eu imagino lugares bonitos, junto lembranças daqueles que vi, daqueles que senti, e me imagino feita de pedaços, quero os pedaços frescos, ainda que verdes. Eu não vou desistir de nada disso, em alguns anos eu sei que deixei tempestades e mesquinharias me arrastarem, mas a pedra fria já me cuspiu de volta pra fora, e se eu pensar em esquecer dessas coisas boas que sinto hoje, você está aqui, texto. Basta reler pra relembrar, eu deixo você me fazer chorar, não há fraqueza em nada disso, e se houver, que tem? Sou alguém.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Que o meio me manipule


Eu sei de muito pouco. Eu sei que os melhores momentos são eternos na memória. Os piores são. A diferença é que tento esquecer os melhores por serem tão piores agora. É extremamente justo que nada volte.
Pensei que fossem 2:00h, por medo que fossem. Quis que fossem 6:00h, no mínimo, já que era escuro ainda do lado de cá da cortina. São 6:30h e eu não sei o que fazer com a hora. Eu apenas quis que amanhecesse logo pra que eu levantasse, já que a cama esta me expulsando, derrubando, encolhendo.  Já que ela enjoou de mim tão cedo!
Eu vou parar de escrever quando tudo for resposta e o sentido das coisas não me despertar vontade de compartilhar com as folhas essa emoção.
O céu está lilás, eu não gosto de lilás, mas... Lá fora tudo fica tão bonito! Quem sabe em algum lugar mágico, agora, perto do céu, alguém esteja esperando que o sol suba e as lágrimas rolem morro abaixo, alegres, leves, brotando dos olhos espertos que colhem toda a paisagem e guardam a imagem do perfume da terra... Enchendo o espírito com a canção angelical dos pássaros, enchendo a alma do amor que vem de algum lugar preso no universo, um lugar que deixa vazar como os raios claros do sol...
Eu imaginei um canto, pequeno que fosse, um lado da nuvem que acolhe o sol cansado do entardecer, uma luz rosada, um macio inigualável, uma brisa nova, pura! Nascida ali do vão entre as estrelas do dia, sem nunca ter passado por outros lugares, sem nunca ter ouvido os pensamentos  absurdamente manipuladores desse mundo...  Ilimitado, cobiçado, indescritível [o lugar.
Eu vou pegar uma estrada longa, com paisagens novas que me arrastem pro mar, ouvir as melhores músicas no volume mais alto sem receio de cantar. 'Entender o vento'.
O que acontece é o que há de acontecer, pra que tanto cuidado? Pra que existe o medo?
Um dia tive razão, há muito tempo, e preferi ouvir os impulsos do coração. Eu ainda não sei entender meu coração. Eu sei que é ele que sente a calma da chuva, ele que sopra nos meus ouvidos a esperança de coisas bonitas que estão por vir... 
É de dentro pra fora, vem da mesma estrada que leva pra alma. É a soma do silêncio aproximado de 6.480 madrugadas.

Data original: 09 de fevereiro de 2011 - 6:30h

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Do lado de lá das muralhas

Cada vez mais eu percebo que é em vão eu tentar descrever a pureza e o sentido das coisas. Tal como a luz da madrugada pintada e musicada por uma garoa macia, macia como o colo aconchegante de mãe.
Eu me repetiria embora as emoções que essas imagens e sentidos me trazem sejam exclusivas, inéditas.
A mágica está presente, viva nas poesias dos insetos da noite, na imaginação a que eles me remetem. Está nas lembranças que tenho de quando tinha dúvidas, de quando indagava a si mesma se seria possível deitar na grama enquanto o planeta dormia pra que a lua se aproximasse de mim sem vergonha e eu pudesse, então, admirar suas crateras com cuidado.
Eu gostaria ainda de ter dúvidas, dúvidas quanto a coisas boas. Talvez as tenha, talvez as cultivasse melhor e sentisse mais a vida se não tivesse tanto desejo de vivê-la e compreendê-la.
Sou eu agora e a madrugada. Eu e o conforto do quarto. Eu e os grilinhos, e esse amor que me desperta o instante. Sou eu e um pouco ainda das coisas que morderam a paz da semana, eu revendo sem querer rever, escrevendo sem querer escrever o que martela a cabeça, o que deixa escapar pra si pedacinhos de tristeza...
Mas existem continuações, hoje eu juntei passagens de coisas que aconteceram no decorrer de dezoito anos e algumas semanas. Eu pude entender que eu fui forte de verdade dezenas de vezes, e que hoje eu sou mais. Que o que há de ruim em cada tão pouco a junção de decepções e mágoas vividas não merecem extensão, não vão ser convidadas nem empurradas pro meu presente, não vão diminuir minha esperança e afetar os meus mais preciosos sonhos. 
Continuo a ser quem fui, na essência. Minha verdade e meus valores são de enorme importância pra mim e não é pessoal, não é inteiramente voluntário que eu continue a arrancar toda a verdade do meu peito mesmo à quem me pisa, à quem inventa, à quem machuca. Machucaria incontáveis vezes mais e machucou quando eu tentei ocultar. É porque a minha alma me deixa descansar tranquila à noite independente do que as pessoas acreditem, independente das coisas contrárias que me disseram. Seria bom que as pessoas de que gosto tanto não se deixassem contaminar por desconfianças e absurdas proteções, seria bom se não entendessem palavras que saem do peito como ironia ou deboche. Seria bom se eu já soubesse lidar com isso, mas é bom que eu tenha esperança e persistência, que eu busque aprender a conviver com gritantes adversidades. É maravilhoso que elas ainda me aceitem assim, resistente, sem querer mudar por egoísmo, pra manter minha consciência em paz.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Força banalizada ou reinventada

Me bate aquela velha vontade de estacionar. Semelhante a saudade do inverno quando se fica em casa na cama. É uma saudade triste. Quando sabe-se que ninguém apoiará ninguém em decisões pesadas. Assim, como que fossem decisões.
E que tem sido fraquezas, e tantas. Tem sido talvez uma mentira a vida em que eu acreditava ter vivido com força. Conclusão baseada naquilo que superei, não na forma como superei. Eu não morri, e foi só.
Que viessem e vieram tempestades devastadoras, relâmpagos assustadores. Noites eternas. Lembro delas ainda hoje. E não detalhando tais passagens, apenas reforçando que foram amargas e quase insuportaveis, ressalto que não as superei por força minha, mas por força do destino. E me faz ainda mais fraca reconhecer.
E toda a idéia de força vem distorcida? Ou vem confusa, apenas?
Não é necessário força demais pra sair de casa quando se quer dormir, força pra se permitir sorrir com os amigos, ou quando não se tem amigos, rir das besteiras da TV.
Eu depositava num brinquedo extremo afeto. Absurdo afeto. Como que sentisse meu carinho, ouvisse minhas canções de ninar e dormisse alí, com os olhinhos abertos e sempre tristes. Um bocado de panos e pelúcias gostosa de abraçar, mas que nunca tirava a  feição pesada do rosto inventado. Porque inventado triste, assim?
E que eu seria forte se não mais lembrasse com tristeza. E se todo meu passado não viesse, agora, de encontro a um presente arremessado de alegrias tão recentes. Que eu não tivesse percebido ontem que àquela tarde no sítio foi  a mais feliz e completa porque a alegria era mútua. Que fosse o momento, que não diga mais nada no presente, eu entendo apenas que ela foi.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

E a paz que busco agora, nem a dor vai me negar [Barão Vermelho]

Todo dia é novo! O que me importa é saber que a tristeza não é pesada, ela me faz forte se eu não fujo dela, me faz querer que amanhã o dia seja intenso como intenso for o sol ou a chuva! Me faz bem ser quem eu sou, sinceramente, eu não sei ser outra! Não poder beber dessas pequenas coisas me faz morta, eu não quero nada disso mais pra mim, quero cada vez mais vida, vida nessas coisas simples, na energia da música, na brisa que vem do mar, no correr sem destino até que o coração acelere e peça pra esperar!! No amor por todas as pessoas, o amor que a razão não quer deixar vir mas que vem, vem sem pedir e fica alí, eu não quero que ele vá.
Se eu choro ou se eu rio sem limite é assim que eu consigo fazer agora, é de mais ou é de menos. É errado, é certo, 'E que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero...[Frejat]'
Nenhum conselho nunca me valeu, toda a razão por mais razoável que fosse perdeu a minha atenção. Me   deixe errar que eu nem sei se é isso que vou querer amanhã. Eu sou incerta demasiadamente pra mim. Quem tem a força que me falta pra aceitar? Eu já não quero saber.
Meu coração está feliz porque a minha felicidade me faz bem agora e não depende de mais nada que esteja externo a mim.
Liberta, minhas palavras podem afastar quem quer que seja, mas à você que foi paciente ainda que brigando, eu sou eternamente grata. Tua companhia não me é essencial, me é boa e trás esperança ainda decrescente e bom ou ruim, isso me faz tão leve!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Todos vão me odiando, vão felizes então.

Eu acordei pesada, agitada, morta. Acordei com milhares de pensamentos gritando, colidindo. Meu eu, me ajude a guardá-los em mim! A guardá-los aqui, mas guarde-os, não faça com que eu afaste por conta de maus momentos boas pessoas.
É que o amor, a falta de, me faz querer cada vez mais o silêncio. Talvez eu não goste da felicidade alheia. Talvez eu seja muito má. De verdade, eu juro, deixa. Eu me repito eternas vezes. Até que você encontre um sentido nessas palavras tão iguais. Até que esse eu fique bem sozinha.
Nada faz bem, não quis companhia. Quero sair, ver olhares felizes. Esperar que o vazio me traga algum motivo de preencheminto. Deixar minha raiva presa, ou levá-la à quem possa me punir, a quem não tem razão pra me guardar de mim. Quero incomodar outras pessoas. Não vocês. Sei que minha alegria deixa saudades, não é por querer que seja assim, mas sei que deixa porque também faz meu coração pequeno.
Eu quero bater no que não existe, berrar contra todas as moscas, que só elas tem a minha atenção.
O que me falta? Eu tenho me encontrado, eu tenho todas as certezas, eu cumpro tudo o que a razão me exige! Paciência, vai passar, não isso que você acha que vai passar, essa dependência e só. Não há razões para estar triste, quando algo ruim morre em mim eu preciso de luto. É temporário. Eu estou me firmando, é pra valer, é preciso, é egoísta. E quando eu estiver bem, será bem tarde, eu sei de tudo, eu sou a dona da razão.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Há poucos dias

Eu não cuido de mim. Não acho certo. Não me preservo das coisas pesadas, daquilo que pode ser indigesto ainda que sem gosto. Não cuido de quem gosto. Deixo sós. Perdidos. Falo grosserias. Não preciso de ninguém nem me orgulho de precisar. Sou esnobe.
A mesma chuva que me regava os sentidos doce e animadora me congela o coração, ainda com tristeza, ainda sem sentido algum.
Esse gosto amargo na minha boca, esse hino de lágrimas e dores, de amores que compõe cem por cento das canções e que me dizem nada! Não comevem, não emocionam, me alegram? Essas minhas palavras antigas e melosas que me repunam, eu enjoo de mim!!!!!!!!!! Essa luz... Espera! Eu sorrio sem porquê, eu tenho certeza de que vai passar, essa febre, essa dor, essa resistência, essa bendita doença que vem sussurrar, insistir, berrar! Ela vai me deixar uma hora, parece bem resistente aos melhores remédios, ela vai parar de se alimentar assim que a semana acabar, ela vai sem deixar nada pra eu lembrar, não vou levantar, vou nascer!

Ego

Eu cuido de mim. Não acho errado. Cuido no sentido de me preservar das coisas pesadas, daquilo que machuca a alma e a consciência. Não acho egoísmo. Não acredito que exista alguém que não busque pra si ter ou manter a felicidade. Eu busco e busco manter. Conforme alimente a razão e principalmente conforme alimente o coração.
E nem estes, quanto menos a consciência me permitem usurpar da alegria alheia pra cumprir essa 'necessidade' minha.
Não existe lógica, se fiz, e sei que fiz, foi sem que a consciência falasse, por motivos sérios, não justificáveis.
Nunca será orgulho. O orgulho, no modo grotesco da palavra.
Sendo que não se concilia uma coisa à outra, eu preciso das pessoas. Eu gosto de ouví-las, se julgo tê-las entendido antes de concluirem e se eu as interromper com supostas soluções não é que não quis ouvir ou entender, é pelo primeiro motivo. Não é que seja certo. É um  grave erro meu, eu admito como admito qualquer erro reconhecido à quem prejudiquei, ou não. À quem merece todo o respeito, toda a minha doação porque à mim cativou, o que não é difícil nem demorado já que meu impulso é acreditar no olhar. Já que esse impulso é ligado à razão.
Posso, há alguns anos ter agido de outra forma e foi tão pesado esconder o que eu senti à quem amei. Minha vontade agora é mostrar. Eu posso. Já não machuca se entendem como egoísmo, se os olhos preconceituosos enxergam orgulho. Os que devem entender são os que entendem. Os que dão valor a essência estão ao meu lado como presentes da vida. Eu os sinto inteiros, seja nas influencias, seja nas brigas, na mutualidade e na diferença.

Data original: 06/01/11


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Esse alguém que se orgulha de ser todo mundo

O que não soa como chantagem hoje?
Pode ser que tenha sido sempre assim. Sempre infantil, sempre inseguro. Eu falo das pessoas ao decorrer dos tempos. Alguém entende que eu falo dele. Esse alguém que sempre tem certeza de tudo. Esse alguém que pensa que sabe o que eu penso. Que pensa que diz o que eu quero ouvir. Que pensa que pensa certo. Que não pensa. Esse limite desse alguém. Homem, mulher.
Eu brigo com quem eu gosto. Não gosto de brigar, gosto de quem eu brigo. De quem entende como briga, já que eu não brigo. Você acha que eu gosto de me explicar? Me fiz clara, fiz?
Estar brava é brigar com você,  caro alguém, pra você. Brigar é lhe dizer: Você me fez mal, quer resolver ou não merece? Pra mim.
Eu brigo com o mundo.
Não me peça certeza constante. Dou certeza na hora, manipulo a hora, agarro-a com verdade e me faz loucamente irritada você deduzir que é jogo!
Você, caro alguém, cara amiga, amigo, colega, família, ator, apresentador, cantor.
As coisas são e bastam. Quem não odeia ao extremo uma CHANTAGEM? Quem suporta que as suas palavras sejam tão levianamente distorcidas? Respectivamente ninguém, todos.
Não me sinto exagerada, dramática, dramática.
O momento não me deixa parar de lutar pra mostrar o que É.
Verdade, verdade. 
Seria drama e exagero parar, compreende? Consegui provar?
Você me diz: É sarcasmo. Eu me contradigo e faço o que mais repuno. Não tenho o direito de pedir compreenção à ninguém.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

E não me infernize confundindo sensibilidade com ingenuidade, esperança com fragilidade!

Procure tentar decifrar s-o-n-h-o.
E não confunda sensibilidade com ingenuidade, esperança com fragilidade. Deixe de ser covarde e encare a verdade ainda de pernas pro ar.
É pra ninguém. Que sirva pra todos.
Não adianta, a mim, ser seletiva. Nem aquieta. Não encontra. Não melhora.
Não resolve que me perguntem qual minha vontade. Nem resolve que eu responda, que eu indique, que eu sublinhe.
Hoje assisti a novela, a qual a grande maioria do país assiste. A qual grita que tenhamos uma vida cada vez mais clichê, cada vez mais machista. A qual põe não só a mulher, mas o ser humano em patamares tão baixos, tão vulgares, tão levianos.
O vitimado se contenta com o absurdo vazio da mente pra rechear seus cofres, armários e status.
Não me importa o valor do teu perfume, o tamanho do teu seio, a quantidade de conhecidos que te cercam. Não me importa realmente a quatidade de elogios baratos que você recebe, e me parece choro desesperado o teu riso.
'Pois que os grilos berram a ninguém mais ouvir'.
http://fragmentosdopensar.blogspot.com/2010/04/adolescencia-por-sua-concepcao.html

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Carta

Nem é necessário falar, não é preciso pedir nem pagar que ela nos enche os olhos, a alma, o coração.
A natureza é mais que matéria, que imaginação. Ela me satisfaz, me preenche e me faz maior, tão maior como extensão dela, como parte viva filha de um sol que se despede em grande estilo toda a tarde. Parte das milhares de árvores e correntesas que compõe o morro, do mar que o abraça, o desenha. Mar que me cativa e invade, que tem de mim coração e corpo eternamente curvados. Esse mar que conforta e toca a alma quando envia a brisa de indescritível sensação...
E minha vontade única é de ficar, instalar todo o sonho por aqui. Afogar o que há de medo e incerteza. É como poder dormir ao sol sem hora pra acordar com o corpo salgado confundido na areia. É sentir que meu temor é pequeno e frágil como seu farelo e minha verdade grande, meu sentido infindo como o céu.
É esse mar que me dá a certeza de um presente vivo e um futuro de iguais proporções.
Zeradas preocupações.